O DIÁRIO DE EVAN CHANDLER
Este texto saiu - editado - aqui no Brasil pela revista EXAME em 1995.
TEXTO ORIGINAL
A história não contada
Mary A. Fischer
GQ, Outubro 1994
Foi Michael Jackson vítima de uma conspiração?
INTRODUÇÃO
Antes de O.J. Simpson foi Michael Jackson, outra amada celebridade negra, aparentemente derrubada por alegações de escândalos em sua vida pessoal. Aquelas alegações, de que Jackson havia molestado um garoto de 13 anos de idade resultaram em um processo multimilionário, investigações de dois grandes-juris e um circo na mídia inescrupulosa.
Jackson, por sua vez, apresentou acusações de extorsão contra alguns de seus acusadores. Em última instância, a ação foi resolvida fora dos tribunais por uma soma que foi estimada em US$ 20 milhões; nenhuma acusação criminal foi registrada contra Jackson por parte da polícia ou júris.
Em agosto passado, Jackson estava nos noticiários outra vez,
quando Lisa Marie Presley, filha de Elvis, anunciou que ela e o
cantor haviam se casado.
À medida que a poeira se assentando, sobre um dos piores episódios
de excesso da mídia do país, uma coisa é clara: o público americano
nunca ouviu uma defesa de Michael Jackson. Até agora.
É naturalmente impossível provar uma negativa - isto é, provar que
algo não aconteceu. Mas é possível analisar mais profundamente as
pessoas que fizeram as acusações contra Jackson e, assim, ter um
insight quanto ao seu caráter e motivações.
O que emerge dessa análise, baseada em documentos judiciais,
registros de negócios e dezenas de entrevistas, é um argumento
convincente de que Jackson não molestou ninguém e que ele pode ter
sido vítima de um plano bem concebido para extorquir seu
dinheiro.
Mais do que isto, a história que surge a partir desse teritório
anteriormente inexplorado, é radicalmente diferente do conto que
tem sido promovido por tablóides e até mesmo jornalistas dos
grandes órgãos da mídia.
É uma história de ganância, ambição, equívocos por parte da polícia
e da Promotoria, uma mídia preguiçosa em busca de sensacionalismo e
do uso de uma droga hipnótica poderosa. Pode ser também uma
história de como um caso foi simplesmente inventado.
Nem Michael Jackson, nem seus advogados de defesa concordaram em
ser entrevistados por esse artigo. Se tivessem decidido lutar
contra as acusações civis e ido a julgamento, o que se segue
poderia ter servido como o núcleo de defesa de Jackson, bem como a
base para continuar as acusações de extorsão contra seus próprios
acusadores, o que poderia muito bem ter absolvido o cantor.
MICHAEL JACKSON É APRESENTADO A J. CHANDLER
Os problemas de Jackson começaram quando seu carro quebrou na
Wilshire Boulevard, em Los Angeles, em maio de 1992. Encalhado no
meio da rua com muito trânsito , Jackson foi visto pela esposa de
Mel Green, um funcionário da Rent-a-Wreck, uma agência não
convencional de aluguel de carros a uma milha de distância. Green
foi resgatá-lo. Quando Dave Schwartz, o proprietário da companhia
de aluguel de carros, soube que Green estava levando Jackson ao
local, chamou sua esposa June e disse para que viesse com sua filha
de seis anos de idade e o filho do casamento anterior. O menino,
então com 12 anos, era um grande fã de Michael Jackson.
Ao chegar, June Chandler-Schwartz contou a Jackson sobre quando seu
filho havia enviado a ele um desenho depois que o cabelo do cantor
pegou fogo durante a filmagem de um comercial da Pepsi. Ela, então,
deu a Jackson o número do telefone de sua casa.
"Era quase como se ela estivesse jogando(o menino) para cimaa
dele", lembra Green. "Acho que Michael achou que devia algo ao
menino, e foi aí que tudo começou."
Certos fatos sobre o relacionamento não se discutem. Jackson
começou a telefonar para o menino, e uma amizade se
desenvolveu.
Depois que Jackson retornou de uma turnê promocional, três meses
mais tarde, June Chandler Schwartz , seu filho e filha tornaram-se
convidados frequentes de Neverland, rancho de Jackson no Condado de
Santa Barbara.
Durante o ano seguinte, Jackson cobriu o menino e sua família com
atenção e presentes, incluindo vídeo-games, relógios, uma farra de
compras depois do expediente na Toys "R" Us e viagens ao redor do
mundo, desde Las Vegas e Disney World até Mónaco e Paris.
Em março de 1993, Jackson e o menino estavam juntos frequentemente
e as festinhas de pijamas começaram. June Chandler Schwartz também
havia se tornado próxima de Jackson "e gostava demais dele", diz um
amigo. "Ele era o homem mais gentil que ela já tinha
encontrado."
Excentricidades pessoais de Michael Jackson, desde sua tentativa de
refazer o seu rosto através de cirurgias plásticas até sua
preferência pela companhia de crianças, têm sido amplamente
relatadas.
E embora possa ser incomum um homem de 35 anos ter festa de pijamas
com uma criança de 13 anos de idade, a mãe do menino e outras
pessoas próximas a Jackson nunca acharam estranho.
O comportamento de Jackson é mais bem compreendido quando ele é
colocado no contexto de sua própria infância.
"Ao contrário do que se poderia pensar, a vida de Michael não foi
um passeio no parque", diz um dos seus advogados. A infância de
Jackson foi ssencialmente interrompida e sua vida nada ortodoxa
começou, quando ele tinha 5 anos e vivendo em Gary, Indiana.
Michael passou a juventude em estúdios de ensaio, nos palcos se
apresentando diante de milhões de estranhos e dormindo em uma
seqüência interminável de quartos de hotel.
Exceto por seus oito irmãos e irmãs, Jackson foi cercado por
adultos que pressionaram-no incansavelmente, em particular, seu
pai, Joe Jackson, um homem rigoroso, sem afeição, e que que,
segundo relatos, espancava seus filhos.
As primeiras experiências de Jackson traduziram-se em um tipo de
desenvolvimento contido, muitos dizem, e ele se tornou uma criança
no corpo de um homem.
"Ele nunca teve uma infância", diz Bert Fields, ex-advogado de
Jackson.
"Ele está tendo uma agora. Seus amigos são crianças de 12 anos.
Eles fazem brigas de travesseiro e guerra de comida.
O interesse de Jackson por crianças também se traduziu em esforços
humanitários. Ao longo dos anos, ele doou milhões para causas
beneficentes, incluindo a sua própria Heal The World
Foundation.
Mas há um outro contexto, o que tem a ver com os tempos em que
vivemos, em que a maioria dos observadores avalia o comportamento
de Jackson.
"Dada a atual confusão e histeria sobre abuso sexual de crianças",
diz o Dr. Phillip Resnick, um conhecido psiquiatra de Cleveland,
"qualquer contato físico ou duradouro com uma criança pode ser
visto como suspeito, e o adulto pode muito bem ser acusado de má
conduta sexual.
A princípio, o envolvimento de Jackson com o garoto foi bem recebido por todos os adultos na vida do jovem - sua mãe, seu padrasto e até mesmo seu pai biológico, Evan Chandler ( que também se recusou a ser entrevistado para este artigo ).
EVAN CHANDLER: UM HOMEM QUE NÃO ACEITOU NEM MESMO SEU SOBRENOME,
FOI UM DENTISTA SEM VOCAÇÃO E PROCESSADO POR PACIENTES EM RAZÃO DE
NEGLIGÊNCIA ODONTOLÓGICA.
!!!TRECHO IMPORTANTE!!!
Evan Robert Charmatz, nascido no Bronx em 1944, Chandler
relutantemente havia seguido os passos de seu pai e irmãos e se
tornado um dentista. "Ele odiava ser um dentista", diz um amigo da
família. "Ele sempre quis ser um escritor."
Depois de se mudar em 1973 para West Palm Beach para exercer a
profissão de dentista, ele mudou seu sobrenome, achava que Charmatz
soava muito judaico, diz um ex-colega.
Na esperança de alguma forma se tornar um roteirista, Chandler
mudou-se para Los Angeles nos anos setenta com sua esposa, June
Wong, uma euro-asiática atraente que havia trabalhado brevemente
como modelo.
A carreira odontológica de Chandler teve seus momentos
precários.
Em dezembro de 1978, enquanto trabalhava para Crenshaw Family
Dental Center, uma clínica em uma área de baixa renda de Los
Ângeles, Chandler fez restauração em dezesseis dentes de um
paciente durante uma única visita.
Em uma avaliação do trabalho, o Conselho de Examinadores
Odontológicos, revelou "a ignorância e / ou ineficiência" em sua
profissão.
O conselho revogou sua licença, no entanto, a revogação foi
suspensa, e o conselho, em vez disso, o suspendeu por noventa dias
e o colocou em observação por dois anos e meio.
Devastado, Chandler foi para a cidade de Nova Iorque. Ele escreveu
um roteiro de cinema, mas não conseguia vendê-lo.
Meses mais tarde, Chandler retornou a Los Ângeles com sua esposa e
realizou uma série de trabalhos de odontologia.
Em 1980, quando seu filho nasceu, o matrimônio do casal estava em
apuros. "Uma das razões para June deixar Evan foi seu
temperamento", diz um amigo da família.
Eles se divorciaram em 1985.
O tribunal deu a custódia do menino para a mãe e ordenou que
Chandler pagasse 500 dólares por mês em pensão alimentícia, mas uma
análise dos documentos revela que, em 1993, quando surgiu o
escândalo envolvendo Jackson, Chandler devia a sua ex-mulher 68.000
dólares, uma dívida que ela acabou perdoando.
Um ano antes de Jackson entrar na vida de seu filho, Chandler teve
um segundo problema sério em sua profissão. Um de seus pacientes,
uma modelo, processou-o por negligência odontológica depois que
Chandler restaurou alguns de seus dentes.
Chandler alegou que a mulher havia assinado um termo de
consentimento em que ela reconhecia os riscos envolvidos.
Mas, quando Edwin Zinman, advogado dela, pediu para ver os
registros originais, Chandler disse que tinham sido roubados do
porta-malas de seu Jaguar.
Ele forneceu um conjunto de cópias.
Zinman, suspeitando, não pode confirmar a autenticidade dos
registros.
"Que extraordinária coincidência eles serem roubadas", Zinman diz
agora."Isso é como dizer 'O cachorro comeu meu dever de casa'." O
processo acabou sendo resolvido fora do tribunal por uma quantia
não revelada.
Apesar desses revezes, Chandler, até então, tinha uma profissão bem
sucedida em Beverly Hills. E ele teve sua primeira chance em
Hollywood em 1992, quando co-escreveu o filme de Mel Brooks Robin
Hood: Men in Tights.
EVAN CHANDLER: UM PAI DESINTERESSADO E UMA PROMESSA NÃO
CUMPRIDA
Até que Michael Jackson entrasse na vida de seu filho, Chandler
não tinha demonstrado muito interesse pelo menino. "Ele prometeu
lhe comprar um computador para que eles pudessem trabalhar em
roteiros juntos, mas ele nunca cumpriu", disse Michael Freeman, um
ex-advogado de June Chandler Schwartz.
A profissão de Chandler como dentista o mantinha ocupado e ele
tinha começado uma nova família, com duas crianças pequenas com sua
segunda esposa, uma advogada do setor corporativo.
EVAN CHANDLER CONHECE MICHAEL JACKSON E TENTA SUA "PRIMEIRA
CONQUISTA": UM NOVO LAR PARA MORAR
A princípio, Chandler recebeu bem e incentivou o relacionamento
do seu filho com Michael Jackson, gabando-se dele para amigos e
sócios.
Quando Jackson e o menino ficaram com Chandler em maio de 1993,
Chandler insistiu para que Michael passasse mais tempo com seu
filho em sua casa.
Segundo algumas fontes, Chandler chegou a sugerir que Jackson
ampliasse sua casa. Assim, o cantor poderia ficar lá.
Depois de ligar para o departamento de zoneamento e descobrir
que isso não poderia ser feito, Chandler fez outra sugestão: que
Jackson simplesmente lhe construísse uma nova casa.
Naquele mesmo mês, o menino, sua mãe e Jackson voaram para Mônaco
para o World Music Awards.
"Evan começou a ficar com ciúmes do envolvimento deles e sentiu-se
deixado de lado", Freeman disse.
Ao retornarem, Jackson e o menino ficaram novamente com Chandler, o
que lhe agradou. Foi uma visita de cinco dias, durante a qual, ELES
dormiam em um quarto com o meio-irmão do jovem.
EVAN CHANDLER INICIA UM ROTEIRO DE INVEJA, VINGANÇA E
DESTRUIÇÃO
Embora Chandler tenha admitido que Jackson e o menino sempre
estavam vestidos quando ele os viu juntos na cama, ele alegou que
foi nessa época que suas suspeitas de abusos sexuais foram
desencadeadas.
Em nenhum momento Chandler alegou ter testemunhado qualquer má
conduta sexual por parte de Jackson.
Chandler ficou cada vez mais instável, fazendo ameaças que
afastavam Jackson, Dave Schwartz e June Chandler Schwartz.
No início de julho de 1993, Dave Schwartz, que tinha sido amigável
com Chandler até então, gravou secretamente uma conversa telefônica
que ele teve com Chandler. Durante a conversa, Chandler falou de
sua preocupação com seu filho e de sua raiva de Jackson e de sua
ex-mulher, a quem descreveu como "fria e insensível." Quando
Chandler tentou "obter a sua atenção " para discutir as suas
suspeitas sobre Jackson, diz ele na fita , ela lhe disse: "Vá se
foder".
"Eu tinha uma boa comunicação com Michael," Chandler disse a
Schwartz. "Nós éramos amigos. Eu gostava dele e o respeitava e tudo
mais pelo que ele é. Não havia nenhuma razão para que ele parar de
me ligar. Eu me sentei na sala um dia e conversei com Michael e
disse-lhe exactamente o que eu quero que deixe de acontecer nessa
relação toda. O que eu quero."
Admitindo a Schwartz, que ele havia "sido preparado" sobre o que
dizer e o que não dizer, Chandler nunca mencionou dinheiro durante
a conversa.
Quando Schwartz perguntou o que Jackson tinha feito que deixou
Chandler tão aborrecido, Chandler alegou apenas que "ele afastou a
família. [O menino] foi seduzido pelo poder e pelo dinheiro desse
cara. Ambos repreenderam a si mesmos repetidamente como maus pais
para o garoto.
Em outra parte da fita, Chandler deixou claro que ele estava
preparado para agir contra Jackson: "Já está definido," Chandler
disse a Schwartz. "Há outras pessoas envolvidas que estão esperando
pelo meu telefonema e que estão em determinadas posições. Eu paguei
a eles para fazer isto. Tudo está acontecendo de acordo com um
certo plano que não é só meu. Uma vez que eu faça essa ligação,
esse cara [seu advogado, Barry K. Rothman, presumivelmente] vai
destruir todo mundo que estiver à vista, de qualquer forma
desonesta, canalha e cruel que ele puder. E eu dei-lhe plena
autoridade para fazer isso." Chandler, então, antecipou o que de
fato aconteceria seis semanas mais tarde: "E se eu continuar com
isso, vou ganhar muito. Não há como eu perder. Eu verifiquei todos
os aspectos. Eu vou conseguir tudo que eu quero, e eles serão
destruídos para sempre. June perderá [a guarda do filho ...] e a
carreira de Michael estará acabada".
"Isso ajuda [o menino]?" Schwartz perguntou.
"Isso é irrelevante para mim", Chandler respondeu. "Isso vai ser
maior do que nós todos juntos. A coisa toda vai afetar e destruir
todo mundo que esteja pelo caminho. Vai ser um massacre, se eu não
conseguir o que eu quero."
PARCERIA EVAN CHANDLER E BARRY ROTHMAN: OS SEMELHANTES SE
ATRAEM
Em vez de ir à polícia, aparentemente a ação mais adequada em
uma situação de suspeita de abuso sexual infantil, Chandler
recorreu a um advogado. E não a qualquer advogado. Ele recorreu a
Barry Rothman.
"Este advogado que eu encontrei, eu escolhi o filho da p*** mais
sujo que eu poderia encontrar," Chandler disse na conversa gravada
com Schwartz. "Tudo o que ele quer fazer é levar isso a público o
mais rápido possível e da forma mais alarmante possível, e humilhar
tantas pessoas quanto puder. Ele é safado, ele é mau, ele é muito
esperto, e ele está com fome de publicidade. "(Através de seu
advogado, Wylie Aitken, Rothman recusou a ser entrevistado para
este artigo. Aitken concordou em responder perguntas gerais
limitadas ao caso de Jackson, e depoiss, apenas sobre aspectos que
não envolvem Chandler ou o garoto.)
O HISTÓRICO DE BARRY ROTHMAN
Conhecer Rothman, diz um antigo colega que trabalhou com ele
durante o caso de Jackson, e que manteve um diário daquilo que
Rothman e Chandler disseram e fizeram no escritório de Rothman, é
acreditar que Barry "poderia ter arquitetado esse plano todo, ponto
final. Isto [fazer alegações contra Michael Jackson] está dentro
dos limites de seu caráter, fazer algo assim. "Informações
fornecidas por clientes antigos, sócios e funcionários de Rothman,
revelam um padrão de manipulação e fraudes.
Rothman exerce advocacia em Century City. Certa vez, ele negociou
contratos para música e concertos para Little Richard, Rolling
Stones, The Who, ElO e Ozzy Osbourne. Discos de ouro e platina
comemorando aqueles dias ainda estão penduradas nas paredes de seu
escritório.
Com sua barba castanho-acinzentada e bronzeado permanente - que ele
mantém em uma cama de bronzeamento em sua casa - Rothman lembra "um
duende" para um ex=cliente. Para um ex-empregado, Rothman é um
"demônio", com "um temperamento terrível." Sua posse mais estimada,
segundo os conhecidos , é o seu Rolls-Royce Corniche de 1977, que
tem a placa "BKR 1."
Ao longo dos anos, Rothman fez tantos inimigos que sua ex-esposa,
uma vez expressou surpresa a seu advogado, por alguém "não ter lhe
assassinado ainda" Ele tem uma reputação de canalha. "Ele parece
ser um caloteiro profissional ... Ele não paga quase ninguém",
concluiu o investigador Ed Marcus (em um relatório entregue no
Tribunal Superior de Los Angeles, como parte de uma ação judicial
contra Rothman), depois de analisar o perfil financeiro do advogado
que exibia mais de trinta credores e titulares que estavam
perseguindo-o.
Além disso, mais de vinte ações cíveis envolvendo Rothman foram
registradas no Superior Tribunal de Justiça, diversas reclamações
foram feitas à Comissão do Trabalho e ações disciplinares em três
incidentes foram abertas contra ele pela Ordem dos Advogados da
Califórnia. Em 1992, ele foi suspenso por um ano, embora a
suspensão tenha sido revogada e ele tinha sido colocado em
observação.
Em 1987, Rothman devia 16.800 dólares em pensão alimentícia para os
filhos. Através de seu advogado, sua ex-esposa, Joanne Ward,
ameaçou penhorar os bens de Rothman, mas ele concordou em pagar a
dívida. Um ano depois, como Rothman ainda não havia feito o
pagamento, o advogado Ward tentou penhorar a valiosa casa de
Rothman em Sherman Oaks. Para sua surpresa, Rothman disse que já
não era mais proprietário da casa; três anos antes, ele lavrou a
escritura de propriedade para Tinoa Operations, Inc., uma empresa
panamenha.
Segundo o advogado de Ward, Rothman alegou que ele tinha 200.000
dólares em dinheiro da Tinoa em sua casa quando, uma noite, ele foi
assaltado à mão armada. A única maneira de ele devolver o dinheiro
a Tinoa, seria com a escritura de sua casa, disse ele. Ward e seu
advogado suspeitavam que tudo aquilo não passava de uma artimanha
de Rothman, mas eles nunca puderam provar isso. Foi só depois que o
xerife mandou rebocar o Rolls Royce de Rothman que ele começou a
pagar o que devia.
Documentos apresentados com o Tribunal Superior de Los Angeles
parecem confirmar as suspeitas de Ward e seu advogado. Eles mostram
que Rothman criou uma elaborada rede de contas bancárias no
estrangeiro e empresas de fachada, aparentemente para esconder
alguns dos seus bens, em particular, a sua casa e grande parte dos
$ 531.000 decorrentes de sua eventual venda, em 1989.
As empresas, incluindo Tinoa, pode ser ligadas a Rothman. Ele
comprou uma empresa de fachada panamenha (uma empresa existente,
mas não operacional) e arranjou as coisas de modo que, embora seu
nome não aparecesse na lista de seus executivos, ele teria um poder
incondicional como procurador, o que o deixaria no controle da
movimentação de dinheiro.
Enquanto isso, os funcionários de Rothman não se saíam muito melhor
do que sua ex-esposa.
Ex-funcionários dizem que às vezes tinham que implorar pelos seus
salários. E às vezes os cheques que ele dava, voltavam.
Ele não conseguia manter secretárias especializadas na área
jurídica. "Ele menosprezava e humilhava-os", diz uma. Os
trabalhadores temporários se davam pior. "Ele os empregava por duas
semanas", acrescenta a secretária, em seguida, os demitia aos
berros, dizendo que eles eram estúpidos.
Então, ele falava para a agência que estava insatisfeito com o
funcionário e não pagaria. "Algumas agências finalmente foram
inteligentes e fizeram Rothman pagar em dinheiro antes de fazerem
negócios com ele.
ANTES DE SER ADVOGADO DE CHANDLER, BARRY ROTHMAN ADVOGOU EM CASO DE UMA CLIENTE QUE ACUSOU SEU MARIDO DE ABUSO SEXUAL
A medida disciplinar da Ordem dos Advogados de 1992 surgiu de um
caso de conflito de interesses.Um ano antes, Rothman foi expulso de
um caso por um cliente, Muriel Metcalf, a quem ele vinha
representando em um processo de custódia e pensão alimentícia;
Metcalf posteriormente o acusou de superfaturar sua conta.
Quatro meses após Metcalf te-lo demitido, Rothman, sem notificá-la,
começou a representar a companhia de seu ex-companheiro , Bob
Brutzman.
O caso é revelador por outro motivo: ele mostra que Rothman teve alguma experiência lidando com alegações de abuso sexual infantil antes do escândalo envolvendo Jackson. Enquanto estava sendo representada por Rothman,, Metcalf, tinha acusado Brutzman de molestar seu filho (que Brutzman negou).
O fato de Rothman conhecer as acusações de Metcalf não o impediu de ir trabalhar para a empresa Brutzman- movimento que lhe rendeu a medida disciplinar.
BARRY ROTHMAN TEVE FALÊNCIA DECLARADA
Em 1992, Rothman estava fugindo de diversos credores. A FOLB
Management, uma agência imobiliária corporativa era um deles.
Rothman devia à empresa US $ 53.000 em aluguel e juros por um
escritório na Sunset Boulevard. A FOLB entrou com um processo.
Rothman, em seguida, rebateu, afirmando que a segurança do prédio
era tão inadequada que, uma noite, os assaltantes conseguiram
roubar mais de 6.900,00 em equipamentos de seu escritório. No
decorrer do processo, o advogado da FOLB disse ao tribunal, "O Sr.
Rothman, não é o tipo de pessoa cuja palavra possa se acreditar.
"
Em Novembro de 1992, o escritório de advocacia de Rothman faliu,
listando treze credores - incluindo a FOLB Manegement - com dívidas
totalizando 880.000,00 dólares e bens não declarados. Depois de
analisar os documentos de falência, um ex-cliente que Rothman
estava processando por US$400.000,00 por custos judiciais, percebeu
que Rothman tinha deixado de colocar na lista uma propriedade de $
133.000. O ex-cliente ameaçou denunciar Rothman por "fraude contra
seus credores"[Nota da revisora: a falência é decretada quando
alguém prova ser incapaz de pagar seus credores. Portanto, para que
um processo de falência seja aceito, é preciso que se comprove que
a totalidade dos bens da pessoa perfaz um valor abaixo do total de
suas dívidas, daí o interesse de alguém em esconder bens em
esconder bens em um processo de falência] - um crime, se Rothman
não encerrasse o processo contra ele. Encurralado, Rothman desistiu
do processo em questão de horas.
Seis meses antes da declaração de falência, Rothman transferiu os
documentos do seu Rolls-Royce para a Majo, uma empresa fictícia que
ele controlava. Três anos antes, Rothman havia declarado que o
carro era propriedade de uma outra corporação , a Longridge
Estates, uma subsidiária da Tinoa Operations, a empresa que detinha
a escritura de sua casa. Nos documentos apresentados por Rothman,
os endereços indicados para Longridge e Tinoa eram os mesmos,
Cahuenga Boulevard, n. 1554 que, como se vê, é o endereço de um
restaurante chinês em Hollywood.
EVAN CHANDLER COMEÇA A COLOCAR SEU PLANO EM PRÁTICA
Foi com esse homem, em Junho de 1993, que Evan Chandler começou a 'realização de um determinado plano' a que se referiu em sua conversa gravada com Dave Schwartz. Em uma formatura naquele mês, Chandler confrontou sua ex-esposa com suas suspeitas. "Ela pensou que era tudo bobagem", diz seu ex-advogado, Michael Freeman. Ela disse a Chandler que pretendia tirar seu filho da escola no outono para que eles pudessem acompanhar Jackson em sua turnê mundial "Dangerous". Chandler ficou irado e, dizem várias fontes, ameaçou ir a público com as provas que afirmava ter contra Jackson. "Que pai em sã consciência iria querer arrastar seu filho para os holofotes públicos?" perguntou Freeman. "Se algo como isso realmente ocorresse, você iria querer proteger o seu filho."
BERT FIELDS E ANTONY PELLICANO ENTRAM EM AÇÃO
Jackson pediu ao seu então advogado, Bert Fields, para intervir. Um dos advogados mais proeminentes na indústria do entretenimento, Bert representava Jackson desde 1990 e tinha negociado para ele, com a Sony, o maior contrato da história da música em que o cantor poderia lucrar US$ 700 milhões. Fields trouxe o investigador Anthony Pellicano para ajudar a resolver o caso. Pellicano age no 'estilo siciliano' sendo ferozmente leal a quem ele gosta, mas um adversário implacável quando se trata de seus inimigos.
JUNE E DAVE SHWARTZ ENTREGAM A GRAVAÇÃO SECRETA A PELLICANO, QUE
CONCLUI TRATAR-SE DE UM CASO DE EXTORSÃO
Em 9 de julho de 1993, Dave Schwartz e June Schwartz - Chandler
mostraram a conversa gravada para Pellicano.
"Depois de ouvir a fita durante dez minutos, eu sabia que era um
caso de extorsão", diz Pellicano.
PELLICANO INTERROGA J. CHANDLER QUE NEGA TER SIDO MOLESTADO POR
MICHAEL JACKSON
Nesse mesmo dia, foi até o condomínio Jackson's Century City, onde o filho de Chandler e sua meia-irmã estavam . Sem Jackson lá, Pellicano 'olhou nos olhos' do garoto e fez a ele 'perguntas bem diretas'. 'Michael já tocou em você? Alguma vez você o viu nu na cama?' A resposta a todas as perguntas foi NÃO. O menino negou repetidas vezes que alguma coisa ruim havia acontecido.
EVAN CHANDLER REQUISITA PERÍODO DE VISITAÇÃO DO FILHO PARA COLOCAR
OUTRA ETAPA DO PLANO EM AÇÃO: A CUSTÓDIA QUE O TRANSFORMARIA EM UM
MILIONÁRIO
Em 11 de julho, depois que Jackson recusou-se a reunir-se com
Chandler, o pai do menino e Rothman passaram para a próxima parte
do plano: eles precisavam conseguir a custódia do menino. Chandler
pediu à sua ex-mulher para deixar o rapaz ficar com ele para uma
"visita de uma semana." Como Bert Fields disse mais tarde em uma
declaração ao tribunal, June Chandler-Schwartz permitiu que o
menino fosse por causa de uma garantia dada por Rothman a Fields
que o menino voltaria no tempo especificado, não esperando que a
palavra de Rothman não tivesse valor algum e que Chandler não
devolveria seu filho.
Wylie Aitken, advogado de Rothman, afirma que "na época [Rothman]
deu a sua palavra, era sua intenção devolver o menino." No entanto,
uma vez que "ele soube que o menino seria levado para fora do país
[para sair em turnê com Jackson], eu não acho que o Sr. Rothman
tinha outra escolha." Mas a cronologia indica claramente que
Chandler soube em junho, na formatura, que a mãe do menino
planejava levar seu filho na turnê. A conversa telefónica gravada
no início de julho, antes de Chandler assumir a custódia de seu
filho, também parece confirmar que Chandler e Rothman não tinham a
intenção de respeitar o acordo de visitação. "Eles [o menino e sua
mãe] não sabiam ainda," Chandler, disse Schwartz, " mas eles não
vão a lugar algum."
JUNE ACUSA EVAN CHANDLER DE COAÇÃO
Em 12 de julho, um dia depois de Chandler assumir o controle de seu filho, ele fez sua ex-mulher assinar um documento preparado por Rothman, que a impedia de tirar o menino de Los Angeles. Isto significava que o menino não poderia acompanhar Jackson na turnê. Sua mãe disse ao tribunal que assinou o documento sob coação. Chandler, segundo o que ela diz em um depoimento, a ameaçado que "eu não teria (o menino) de volta para mim." A amarga batalha de custódia seguiu, tornando ainda mais complexas quaisquer acusações feitas por Chandler sobre má conduta por parte de Jackson. [Em agosto deste ano (1994), o menino ainda estava morando com Chandler]. Foi durante as primeiras semanas após Chandler assumir o controle de seu filho, que estava agora isolado de seus amigos, da mãe e do padrasto, que as alegações do menino começaram a a tomar forma.
BARRY ROTMAN FAZ CONSULTA PSIQUIÁTRICA POR TELEFONE E TRANSFORMA UM
HIPOTÉTICO ABUSO SEXUAL EM UMA ACUSAÇÃO FORMAL
Ao mesmo tempo, Rothman, buscando o parecer de peritos para
ajudar a estabelecer as acusações contra Jackson, ligou para Dr.
Mathis Abrams, um psiquiatra de Beverly Hills. Ao telefone, Rothman
apresentou a situação a Abrams como hipotética. Em resposta e sem
ter encontrado com Chandler ou o seu filho, Abrams, em 15 de julho,
enviou uma carta de duas páginas a Rothman no qual ele afirmava que
"existiria uma suspeita razoável de que o abuso sexual possa ter
ocorrido." É importante notar que ele afirmou que, se isso fosse um
situação real e não hipotética, ele seria obrigado por lei a
relatar o assunto para o Departamento de Serviços à Criança (DCS)
de Los Angeles .
De acordo com uma anotaçõ do dia 27 de julho, no diário mantido
pelo ex-colega de Rothman, é óbvio que Rothman estava guiando
Chandler no plano. "Rothman escreveu uma carta para Chandler,
aconselhando-o como denunciar abuso de crianças sem
responsabilidade para o pai," diz a anotação.
DE EVAN CHANDLER PARA MICHAEL JACKSON: "EU VOU ARRUINAR VOCÊ"
Neste ponto, ainda não haviam sido feitas exigências ou acusações formais, apenas afirmações veladas que se interligavam com a feroz batalha pela custódia.
Em 4 de agosto de 1993, porém, as coisas se tornaram muito
claras. Chandler e seu filho encontraram-se com Jackson e Pellicano
em uma suíte no Westwood Hotel Marquis. Ao ver Jackson, diz
Pellicano, Chandler deu um abraço afetuoso no cantor (gesto, dizem
alguns, que parecem desmentir as suspeitas do dentista de que
Jackson havia molestado seu filho), então, ele colocou a mão no
bolso, tirou a carta de Abrams e começou a ler alguns
trechos.
Quando Chandler leu as partes sobre abuso sexual infantil, o
menino, diz Pellicano, abaixou a cabeça e, em seguida, olhou para
Jackson, com uma expressão de surpresa, como se dissesse: "Eu não
falei isso." Quando a reunião terminou, Chandler apontou o dedo
para Jackson, diz Pellicano, e avisou: "Eu vou arruinar você."
EVAN CHANDLER QUER $ 20 MILHÕES DE DÓLARES, TRÊS ROTEIROS OU
"NADA"
Mais tarde, naquela mesma noite, em um encontro com Pellicano no
escritório de Rothman , Chandler e Rothman fizeram sua exigência: $
20 milhões.
Em 13 de agosto, houve outra reunião no escritório de Rothman.
Pellicano voltou com uma contraproposta - um acordo para um roteiro
de $ 350.000. Pellicano diz que ele fez a oferta como forma de
resolver a disputa de custódia e dar a Chandler uma oportunidade de
passar mais tempo com seu filho, trabalhando em um roteiro juntos.
Chandler rejeitou a oferta. Rothman fez uma última tentativa: um
acordo para três roteiros ou nada, que foi rejeitado. No diário do
ex-colega de Rothman, uma anotacão de 24 de agosto revela decepção
de Chandler: "Eu quase consegui um negócio de US $ 20 milhões," ele
ouviu Chandler dizer a Rothman.
EVAN CHANDLER E UM ANESTESIOLOGISTA ADMINISTRAM AMYTAL DE SÓDIO A
J. CHANDLER
Antes de Chandler assumiu o controle de seu filho, o único que fazia acusações contra Jackson era o próprio Chandler. O garoto nunca tinha acusado o cantor de qualquer ato inapropriado. Isso mudou um dia no consultório odontológico de Chandler em Beverly Hills.
Na presença de Chandler e Mark Torbiner , um anestesiologista dentário, um medicamento controverso foi administrado no menino, Amytal sódico, que alguns erroneamente acreditam ser um soro da verdade. E foi depois dessa sessão que o menino fez sua primeira acusação contra Jackson.
O jornalista da KCBS-TV, em Los Angeles, informou em 3 de Maio deste ano que Chandler havia aplicado a droga em seu filho, mas o dentista alegou que ele fez isso apenas para extrair um dente de seu filho e que, sob influência da droga, o menino veio com as alegações.
Questionado para este artigo sobre o uso do medicamento no menino, Torbiner respondeu: "Se eu usei, foi para fins odontológicos.
O QUE OS ESPECIALISTAS DIZEM SOBRE O AMYTAL
Dado os fatos sobre o Amytal sódico e um caso histórico recente
envolvendo a droga, as alegações do menino, segundo especialistas,
não devem ser tratados como confiáveis, se não altamente
questionáveis.
"É um medicamento psiquiátrico em que não se pode confiar para
produzir a realidade," diz o Dr. Resnick, um psiquiatra de
Cleveland. "As pessoas são muito sugestionáveis sob efeito dele. As
pessoas vão dizer coisas sob o efeito do Amytal sódico que são
descaradamente falsas. "Amytal de sódio é um barbitúrico, uma droga
invasiva que coloca as pessoas em estado hipnótico quando é
injectada por via intravenosa. Administrada principalmente para o
tratamento da amnésia, a droga entrou em uso pela primeira vez
durante a II Guerra Mundial, em soldados traumatizados, alguns em
estados catatônicos, pelos horrores da guerra. Estudos científicos
feitos em 1952, desmascararam a droga como um soro da verdade e, em
vez disso, demonstraram seus riscos: falsas memórias podem
facilmente ser implantadas em pessoas sob seu efeito. "É
perfeitamente possível implantar uma idéia através da pergunta de
uma mera pergunta", diz Resnick. Mas seus efeitos são,
aparentemente, ainda mais traiçoeiros: "A idéia pode se tornar sua
memória, e os estudos mostraram que mesmo quando você lhes disser a
verdade, eles vão jurar sobre um monte de Bíblias que aconteceu",
diz Resnick.
RELATO DE UM CASO DE ACUSAÇÃO DE ABUSO SEXUAL FEITO SOB O EFEITO DE
AMYTAL E OS PROBLEMAS QUE ENVOLVEM ACUSAÇÕES DE ABUSO SEXUAL
Recentemente, a confiabilidade da droga se tornou um problema em um julgamento famoso no condado de Napa, na Califórnia. Depois de submetida a várias sessões de terapia, das quais em pelo menos uma foi administrado o Amytal sódico, Holly Ramona, de 20 anos, acusou o pai de molestá-la quando criança. Gary Ramona negou veementemente a acusação e processou a terapeuta e o psiquiatra da filha que haviam administrado o medicamento. Em maio passado, os jurados absolveram Gary Ramona, acreditando que o terapeuta e o psiquiatra possam ter reforçado memórias que eram falsas. Gary Ramona foi o primeiro caso bem sucedido para o chamado "fenômeno de memória reprimida", que resultou em milhares de acusações de abuso sexual durante a última década.
MAIS OPINIÕES DE ESPECIALISTAS
Quanto à história de Chandler sobre o uso da droga para sedar o
filho durante uma extração de um dente, ela parece muito duvidosa,
tendo em conta o uso habitual da droga. "É uma medicação
absolutamente psiquiátrica", diz o Dr. Kenneth Gottlieb, um
psiquiatra de San Francisco que tem administrado Amytal sódico em
pacientes com amnésia. Dr. John Yagiela, o coordenador do
departamento de anestesia e controle da dor da faculdade de
odontologia da UCLA, acrescenta: "É incomum utilizá-lo (para
extrair um dente). Não faz sentido quando existem alternativas
melhores. Esta não seria a minha escolha. "
Devido aos efeitos colaterais do Amytal, sódico, alguns médicos
administrariam-no apenas em hospitais. "Eu nunca iria querer usar
um medicamento que mexe com o inconsciente da pessoa, a menos que
não houvesse outro medicamento disponível", diz Gottlieb. "E eu não
iria utilizá-lo sem um equipamento ressuscitador, em caso de
alergia, e somente o usaria com a presença de um anestesista
geral."
EVAN CHANDLER, BARRY ROTHMEN E MARK TORBINER JÁ ERAM "VELHOS
CAMARADAS" ANTES DO CASO MICHAEL JACKSON
Chandler, ao que parece, não seguiu estas orientações. Ele realizou o procedimento em seu filho em seu consultório, e ele contou com um anestesista odontológico (Marcos Torbiner) como especialista. (Foi Torbiner quem apresentou Chandler a Rothman, em 1991, quando Rothman precisou de um serviço odontológico).
MARK TORBINER: O DOUTOR DE QUEM ESTÁ COM SONO
A natureza da conduta profissional de Torbiner parece tê-la
tornado muito bem sucedida. "Ele se gaba de ter US$ 100,00 em
despesas e US$ 40.000,00 de lucro por mês", diz Nylla Jones, uma
ex-paciente. Torbiner não tem um consultório para atender os
pacientes, mas ele viaja para vários consultórios em torno da
cidade, onde ele administra anestesia durante os
procedimentos.
Esta revista(GQ) tomou conhecimento de que o Conselho Nacional de
Administração de Medicamentos está sondando um outro aspecto da
conduta profissional de Torbiner.
Ele faz visitas domésticas para administrar drogas - principalmente
morfina e Demerol - não apenas no pós-operatório para seus
pacientes odontológicos, mas também, ao que parece, a aqueles que
sofrem de dor cuja origem não tem nada a ver com algum procedimento
odontológico. Ele chega à casa de seus pacientes - alguns deles
celebridades - com um tipo de caixa de pesca, que contém drogas e
seringas.
Ao mesmo tempo, na placa de seu Jaguar se lê "SLPYDOC [nota da
revisora: corruptela de "sleepy doctor", algo como "doutor de quem
está com sono" ]. Segundo Jones, Torbiner cobra US$ 350,00 para uma
visita básica de dez a vinte minutos. No que Jones descreve como
prática padrão, quando não está claro quanto tempo será necessário
para que Torbiner fique, o cliente, antecipando o estupor que logo
chegará, deixa um cheque em branco para que Torbiner preencha com a
quantia necessária.
O HISTÓRICO DE MARK TORBINER
Torbiner nem sempre foi bem sucedido. Em 1989, ele foi pego em
uma mentira e foi convidado a se retirar da UCLA, onde ele era um
professor/assistente na Faculdade de Odontologia. Torbiner pediu
para ter um meio-dia de folga para que ele pudesse celebrar um
feriado religioso, mas, em vez disso, foi encontrado mais tarde
trabalhado em um consultório odontológico.
Uma análise das credenciais de Torbiner com o Conselho de
Examinadores Odontológicos, indica que ele está restrito por lei à
administração de medicamentos exclusivamente relacionados a
procedimentos odontológicos. Mas há provas claras de que ele não
tenha honrado essas limitações. Na verdade, pelo menos em oito
ocasiões, Torbiner administrou um anestésico geral em Barry
Rothman, durante procedimentos de transplante de cabelo.
Embora normalmente uma anestesia local seria aplicada no couro
cabeludo, "Barry tem tanto medo da dor", diz o Dr. James De Yarman,
médico de San Diego que realizou os transplantes em Rothman, "que
[ele] queria apagar completamente." De Yarman disse que ficou
"espantado" ao saber que Torbiner é um dentista, tendo pensado o
tempo todo que ele era um médico.
Em outra ocasião, Torbiner foi até a casa de Nylla Jones, segundo
ela, e aplicou nela Demerol para ajudar a aliviar a dor que ela
sentia após fazer uma cirurgia de apêndice.
EVAN CHANDLER LEVA O FILHO AO "PSIQUIATRA DA AVALIAÇÃO
HIPOTÉTICA"
Em 16 de agosto, três dias depois de Chandler e Rothman terem recusado o acordo para um roteiro de US$ 350.000 dólares, a situação chegou ao seu limite. Em nome de June Chandler - Schwartz, Michael Freeman comunicou a Rothman que entraria com uma ação na manhã seguinte para forçar Chandler a devolver o menino. Reagindo rapidamente, Chandler levou seu filho até Mathis Abrams, o psiquiatra que enviou a Rothman sua avaliação da situação hipotética de abuso sexual infantil.
EVAN CHANDLER FINALMENTE CONSEGUE A ACUSAÇÃO DO FILHO CONTRA
MICHAEL JACKSON
Durante uma sessão de três horas, o rapaz alegou que Jackson havia tido relação sexual com ele. Ele falou de masturbação, beijos, carícias dos mamilos e sexo oral. No entanto, não houve nenhuma menção de penetração real, que poderia ter sido verificada por um exame médico, fornecendo provas que corroborem.
O PSIQUIATRA ENTREGA O CASO AO DSC
O próximo passo era inevitável. Abrams, que é obrigado por lei a relatar qualquer acusação para as autoridades, ligou para uma assistente social do Departamento de Serviços para Crianças que, por sua vez, contactou a polícia. A investigação completa de Michael Jackson estava prestes a começar.
CIRCO MIDIÁTICO
Cinco dias depois de Abrams ligar para as autoridades, a mídia
ficou sabendo da investigação. Na manhã de domingo, 22 de agosto,
Don Ray, jornalista free-lance em Burbank, estava dormindo quando
seu telefone tocou. O autor da chamada, um de seus informantes,
disse que tinham sido emitidos mandados de busca para o rancho e
condomínio de Jackson. Ray vendeu a história para KNBC LA-TV, que
deu o furo de reportagem às 4 da tarde no dia seguinte.
Depois disso, Ray "assistiu esta história ir longe, como um trem de
carga", diz ele. Dentro de vinte e quatro horas, Jackson foi o
assunto principal da história em setenta e três noticiários só na
área de Los Angeles e estava na primeira página de todos os jornais
britânicos. A história de Michael Jackson e o garoto de 13 anos se
tornou um frenesi de exageros e rumores infundados, com a linha que
separa a imprensa séria dos tablóides praticamente eliminada.
DIANE DIMOND DÁ INÍCIO A SUA PERSEGUIÇÃO/OBSESSÃO CONTRA MICHAEL
JACKSON
A extensão das alegações contra Jackson não foram conhecidas até
25 de agosto. Uma pessoa de dentro do Departamento de Serviços para
a Criança, ilegalmente vazou uma cópia do relato de abuso para
Diane Dimond da Hard Copy[ nota do tradutor: Programa de notícias
tabloidianas dos EUA]. Poucas horas depois, o escritório de uma
agência de notícias britânica em Los Angeles também obteve o relato
e começou a vender cópias para qualquer repórter disposto a pagar
US$ 750,00. No dia seguinte, o mundo todo conhecia os detalhes
explícitos contidos no relato. "Enquanto estavam deitados um ao
lado do outro na cama, Jackson colocou a mão dentro das calças (da
criança)", escreveu a assistente social. A partir daí, a cobertura
da imprensa logo demonstrou que valia tudo sobre Jackson.
"A concorrência entre as agências de notícias tornou-se tão
acirrada", diz o repórter KNBC Conan Nolan, que "as histórias não
estavam sendo verificadas. Foi uma coisa muito infeliz"
TABLÓIDES EM AÇÃO: "QUER GANHAR QUANTO?, QUER PAGAR QUANTO?"
O The National Enquirer [nota da revisora: tablóide britânico]
colocou vinte repórteres e editores no caso. Uma equipe bateu em
500 portas em Brentwood tentando encontrar Evan Chandler e seu
filho. Utilizando os registos de propriedade, eles finalmente
conseguiram , avistaram Chandler em sua Mercedes preta. "Ele não
ficou feliz. Mas eu fiquei ", disse Andy O'Brien, um fotógrafo de
tablóide.
Em seguida vieram os acusadores, ex-empregados de Jackson.
Primeiro, Stella e Philippe Lemarque, ex-governantas de Jackson,
tentaram vender sua história para os tablóides com a ajuda do
intermediário Paul Barresi, uma ex-estrela pornô. Eles pediram meio
milhão de dólares, mas acabaram vendendo uma entrevista ao The
Globe da Grã-Bretanha em US$ 15.000,00.
Os Quindoys, um casal filipino que havia trabalhado em Neverland,
fizeram o mesmo. Quando o preço era de US $ 100.000,00, eles
disseram que "a mão estava por cima da calça do garoto", Barresi
disse a um produtor do Frontline, um programa de TV. "Assim que o
preço subiu para US$ 500.000,00, a mão foi para dentro da calça.
Então qual é, né? "A promotoria de Los Angeles concluiu que ambos
os casais eram inúteis como testemunhas.
VERGONHA JORNALÍSTICA X DESMENTIDOS EM DEPOIMENTOS
Depois vieram os guarda-costas. Pretendendo subir na carreira
jornalísticaa, Diane Dimond do Hard Copy disse ao Frontline no
início de novembro do ano passado que seu programa era "honesto
sobre esse assunto. Nós não pagamos dinheiro por essa história
toda." Mas duas semanas mais tarde, como revela um contrato da Hard
Copy, o show estava negociando um pagamento de US$ 100.000,00 para
cinco ex-seguranças de Jackson, que estavam planejando entrar com
um processo de US$ 10 milhões alegando que foram demitidos
injustamente.
Em 1 de dezembro, com o acordo feito, dois dos seguranças
apareceram no programa. Eles haviam sido demitidos. Dimond disse
aos telespectadores: porque "sabiam demais sobre a estranha relação
de Michael Jackson com meninos."
Na realidade, como seus depoimentos sob juramento, três meses
depois revelaram, era claro que eles nunca haviam realmente visto
Jackson fazendo nada impróprio com o filho de Chandler ou qualquer
outra criança:
"Então você não sabe nada sobre o Sr. Jackson e o garoto), pois
não?" perguntou um dos advogados de Jackson ao ex-segurança Morris
Williams que estava sob juramento.
"Tudo o que sei é de documentos que contém o juramento de outras
pessoas."
"Mas, além do que outra pessoa possa ter dito, você não tem
conhecimento de primeira mão sobre o Sr. Jackson e (o menino), não
é?"
"Correto."
"Você já falou com alguma criança que disse a você que o sr Jackson
fez alguma coisa imprópria com ela?"
"Não."
Quando questionado pelo advogado de Jackson, sobre a origem de suas
impressões, Williams respondeu: "Só pelo que eu tenho ouvido nos
meios de comunicação e pelo que eu vi com meus próprios
olhos."
"Ok, esse é o ponto. Você nunca viu nada com seus próprios olhos,
certo? "
"Certo, nada."
(O processo dos seguranças, apresentado em Março de 1994, ainda
estava pendente quando este artigo foi para a imprensa.)
[NOTA: O caso foi encerrado em Julho de 1995.]
Em seguida veio a empregada. Em 15 de dezembro, o Hard Copy
apresentou "O doloroso segredo da empregada que arrumava o quarto".
Blanca Francia disse a Dimond e a outros repórteres que tinha visto
Jackson nu tomando banhos de chuveiro e em banheiras de
hidromassagem com garotos. Ela também disse a Dimond que havia
testemunhado o seu próprio filho em posições comprometedoras com
Jackson, uma alegação em que os grandes júris aparentemente nunca
acreditaram.
Uma cópia do depoimento sob juramento de Francia revela que o Hard
Copy lhe pagou US$ 20.000, 00 e que Dimond tinha verificado as
alegações dela, e teria descoberto que eram falsas. Interrogada por
um advogado de Jackson, Françia admitiu que nunca tinha realmente
visto Jackson no chuveiro com ninguém nem o tinha visto nu com os
meninos em sua banheira. Eles sempre estavam com suas roupas de
banho, ela reconheceu.
A cobertura da imprensa, diz Michael Levine, um assessor de
imprensa de Jackson, "seguiu uma visão proctologista do mundo. O
Hard Copy foi repugnante. O tratamento vicioso e vil desse homem na
mídia se deu por motivos egoístas. Mesmo se você nunca tenha
comprado um álbum do Michael Jackson, você deve ficar preocupado. A
sociedade é construída sobre alguns poucos pilares. Um deles é a
verdade. Quando você abandona isso, você vai ladeira abaixo ".
UM INQUIÉRITO TENDENCIOSO
A investigação de Jackson, que em Outubro de 1993 viria a
envolver pelo menos doze detetives do Condado de Santa Barbara e de
Los Angeles, foi instigada, em parte, pelas percepções de um
psiquiatra, Mathis Abrams, que não era um especialista em matéria
de abuso sexual infantil.
Abrams, observou o relatório da assistente social da DCS, "sente
que a criança está dizendo a verdade." Em uma era de queixas
generalizadas e muitas vezes falsas de abuso sexual infantil, a
polícia e os promotores têm dado grande importância para o
testemunho de psiquiatras, terapeutas e assistentes sociais.
A polícia apreendeu a agenda de telefone de Jackson durante as
buscas em suas residências, em agosto e questionou quase trinta
crianças e suas famílias. Alguns, como Wade Robson e Brett Barnes ,
disseram que eles haviam compartilhado a cama com Jackson, mas,
como todos os outros, deram a mesma resposta-Jackson não tinha
feito nada de errado. "As evidências eram muito boa para nós", diz
um advogado que trabalhou na defesa de Jackson. "O outro lado não
tinha nada, a não ser uma boca grande".
Apesar das evidências insignificantes apoiando a sua convicção de
que Jackson era culpado, a polícia intensificou os seus esforços.
Dois oficiais voaram para as Filipinas para tentar conferir a
história da "mão nas calças" contada pelos Quindoys , mas
aparentemente decidiram que ela não tinha credibilidade.
A polícia também empregou técnicas agressivas de investigação - o
que, supostamente incluia contar mentiras - para pressionar
crianças a fazerem acusações contra Jackson.
De acordo com vários pais que se queixaram a Bert Fields, oficiais
afirmavam categoricamente que seus filhos haviam sido molestadas,
apesar das crianças negarem aos pais que qualquer coisa ruim
tivesse acontecido.
A polícia, Fields queixou-se em uma carta ao chefe de polícia de
Los Angeles, Willie Williams, "também assusta os jovens com
mentiras ultrajantes, como 'Temos fotos de você nu." Não existe, é
claro, foto nenhuma. Um oficial, Federico Sicard, disse ao advogado
Michael Freeman que ele havia mentido para as crianças que ele
tinha entrevistado, dizendo-lhes que ele próprio tinha sido
molestado quando criança, disse Freeman. Sicard não respondeu aos
pedidos de entrevista para este artigo.
JUNE CHANDLER PASSA PARA O LADO DE EVAN CHANDLER
O tempo todo, June Schwartz-Chandler rejeitou as acusações que
Chandler estava fazendo contra Jackson, até uma reunião com a
polícia no final de agosto de 1993. Os oficiais Sicard e Rosibel
Ferrufino fizeram uma declaração que começou a mudar sua mente.
"[Os oficiais] admitiram que eles tinham apenas um menino", diz
Freeman, que participou da reunião, "mas eles disseram: 'Estamos
convencidos de que Michael Jackson molestou este menino porque ele
se encaixa perfeitamente no perfil clássico do pedófilo '
"Não existe esse tal perfil clássico. Cometeram um erro
completamente estúpido e ilógico ", diz o Dr. Ralph Underwager, um
psiquiatra de Minneapolis que tem tratado de pedófilos e vítimas de
incesto, desde 1953. Jackson, acredita, "pagou" por causa de
"equívocos como estes, que puderam passar por fato em uma era de
histeria". Na verdade, como um estudo do Departamento de Saúde e
Serviços Humanos dos EUA mostra , muitas alegações de abuso sexual
infantil - 48 % daqueles registrados em 1990 - eram comprovadamente
infundadas.
"Era só uma questão de tempo antes que alguém como Jackson se
tornasse um alvo", diz Phillip Resnick. "Ele é rico, excêntrico,
vive rodeado de crianças e essa é a fragilidade dele. A atmosfera é
tal que uma acusação ia mesmo acontecer. "
As sementes do acordo começaram a ser semeadas à medida em que a
investigação policial prosseguia em ambos os municípios através do
outono de 1993. E a batalha de bastidores entre os advogados de
Jackson pelo controle do caso, o que acabaria por alterar o curso
da defesa, havia começado.
Nessa época, June Chandler Schwartz e Dave Schwartz tinham se unido
a Evan Chandler contra Jackson. A mãe do menino, dizem várias
fontes, temia pelo que Chandler e Rothman poderiam fazer se ela não
ficasse do lado deles.
Ela se preocupava com o fato de enfrentar uma acusação por
negligência, por ter permitido que seu filho passasse noites com
Jackson.
MUDANÇAS DE ADVOGADOS
Seu advogado, Michael Freeman, por sua vez, pediu demissão por
desgosto, dizendo mais tarde que "a coisa toda era uma confusão.
"Eu me sentia desconfortável com Evan. Ele não é uma pessoa
autêntica, e eu sentia que ele não estava fazendo as coisas do modo
certo."
Ao longo dos meses, os advogados de ambos os lados foram
contratados e demitidos enquanto lutavam sobre a melhor estratégia
a ser tomada. Rothman deixou de representar Chandler no final de
agosto, quando foram apresentadas por Jackson as acusações de
extorsão contra os dois. Ambos, então, contrataram caros advogados
criminalistas de defesa para representá-los. (Rothman contratou
Robert Shapiro, que agora é o principal advogado de defesa de OJ
Simpson.)
De acordo com o diário da ex-colega de Rothman, em 26 de agosto,
antes das acusações de extorsão serem apresentadas, ela ouviu
Chandler dizer "É o meu (censurado) que está em perigo e correndo
risco de ir para a prisão."
POLÍCIA DESCONSIDERA ACUSAÇÕES DE EXTORSÃO FEITAS PELA EQUIPE DE
JACKSON, NÃO LEVANDO ADIANTE INVESTIGAÇÕES CONTRA CHANDLER E
ROTHMAN
"As investigações sobre as acusações de extorsão foram superficiais porque, segundo uma fonte, "a polícia nunca as levou a sério. Mas muito mais poderia ter sido feito." Por exemplo, como haviam feito com Jackson, a polícia poderia ter emitido mandados de busca para as residências e escritórios de Rothman e Chandler. E quando ambos , através de seus advogados, se recusaram a ser entrevistado pela polícia, um grande júri poderia ter sido convocados."
LARRY FELDMAN ASSUME CASO DE EVAN CHANDLER
Pela metade de setembro, Larry Feldman, advogado civil, que
tinha sido presidente da Associação dos Advogados do Tribunal de
Los Angeles , começou a representar o filho de Chandler e
imediatamente tomou o controle da situação. Ele entrou com uma ação
civil de 30 milhões dólares contra Jackson, o que viria a ser o
começo do fim.
Depois que a notícia da ação se espalhou, os lobos começaram a se
amontoar na porta. De acordo com um membro da equipe de advogados
de Jackson, "Feldman recebeu dezenas de cartas de todos os tipos de
pessoas dizendo que haviam sido molestado por Jackson. Foram a
todos eles tentando encontrar alguém, e não encontraram
ninguém."
HOWARD WEITZMAN ENTRA NA EQUIPE DE DEFESA DE JACKSON
Com a possibilidade de acusações criminais contra Jackson agora
iminentes, Bert Fields trouxe Howard Weitzman, um conhecido
advogado criminalista de defesa com uma série de clientes famosos,
incluindo John DeLorean, cujo julgamento ele ganhou, e Kim
Basinger, cuja disputa do contrato com o boxing Helena ele perdeu.
(Além disso, por um curto período em Junho deste ano, Weitzman foi
advogado de OJ Simpson.) Alguns previram um problema entre os dois
advogados no início.
Não havia espaço para dois fortes advogados acostumados a
protagonizarem seus próprios shows.
A partir do dia que Weitzman se juntou à equipe de defesa de
Jackson, "ele falava de um acordo", disse Bonnie Ezkenazi, um
advogado que trabalhou para a defesa. Com Bert Fields e Pellicano
ainda no controle da defesa de Jackson, eles adotaram uma
estratégia agressiva. Eles acreditavam incondicionalmente na defesa
de Jackson e juraram lutar contra as acusações no tribunal.
Pellicano começou a reunir evidências para usar no julgamento, que
estava marcada para 21 de março de 1994. "Eles tinham um caso muito
fraco", diz Fields. "Nós queríamos lutar. Michael queria lutar e
passar por um julgamento. Nós sentimos que poderíamos ganhar ".
BERT FIELDS E ANTONY PELLICANO DEIXAM O CASO
As divergências no time de Jackson aceleraram em 12 de novembro, depois que o porta-voz de Jackson anunciou numa conferência de imprensa que o cantor cancelaria o restante de sua turnê mundial para entrar em um a clínica de reabilitação para tratar seu vício em analgésicos.
Posteriormente, Bert Fields disse aos jornalistas que Jackson
"quase não estava capaz de agir adequadamente em um nível
intelectual." Outros na equipe de Jackson acharam que era um erro
retratar o cantor como um incapaz. "Foi importante", diz Fields,
"dizer a verdade. [Larry] Feldman e a imprensa assumiram a posição
de que Michael estava tentando se esconder e que foi tudo uma
farsa. Mas não foi. "
Em 23 de novembro, os atritos chegaram ao máximo. Com base em
informações que ele afirma ter recebido de Weitzman, Fields disse
em um tribunal cheio de repórteres que uma acusação criminal contra
Jackson parecia iminente. Fields teve uma razão para fazer a
declaração: ele estava tentando atrasar a ação civil do menino
constatatando que havia um caso criminal que deveria ser julgado
primeiro.
Fora do tribunal, os repórteres perguntaram por que Fields fez o
anúncio, ao que Weitzman respondeu essencialmente que Fields "se
confundiu." O comentário enfureceu Fields, "porque não era
verdade", diz ele. "Foi um ultraje. Fiquei muito chateado com
Howard". Fields enviou uma carta de demissão a Jackson na semana
seguinte.
Havia esse grande grupo de pessoas querendo fazer coisas
diferentes, e era como se mover através de uma areia movediça para
obter uma decisão", diz Fields. "Era um pesadelo, e eu queria dar o
fora dele." Pellicano, que tinha recebido seu quinhão de críticas
pela sua conduta agressiva, pediu demissão ao mesmo tempo.
WEITZMAN E JOHNNIE COCHRAN JR LEVAM O CASO ATÉ O FINAL
Com Fields e Pellicano fora, Weitzman trouxe Johnnie Cochran
Jr., um advogado civil bem conhecido que agora está ajudando a
defender O. J. Simpson. E John Branca, que havia sido substituído
por Fields como conselheiro geral de Jackson em 1990, estava de
volta ao conselho.
No final de 1993, como promotores convocaram grandes júris em Santa
Barbara e Los Angeles para avaliar se acusações criminais deveriam
ser apresentadas contra Jackson, a estratégia de defesa mudou de
rumo e a conversa sobre um acordo no caso civil começou a ficar
séria, apesar de nova equipe também acreditar na inocência de
Jackson.
EQUIPE DE JACKSON ANALISA PRÓS E CONTRAS DO CASO SER LEVADO AOS
TRIBUNAIS
Por que os advogados de Jackson concordariam em resolver o caso fora dos tribunais, dadas as alegações de inocência dele e as evidências questionáveis contra ele? Seus advogados, aparentemente, decidiram que havia muitos fatores que iam de encontro à ideia de levar o caso civil aos tribunais. Entre eles estava o fato de que a fragilidade emocional de Jackson seria testada pela cobertura agressiva da mídia que, provavelmente seria como uma praga para o cantor, dia após dia, durante um julgamento que poderia durar até seis meses. Política e questões raciais haviam também se infiltrado em procedimentos legais, especialmente em Los Angeles, que ainda estava se recuperando do calvário de Rodney King e a defesa temia que não se pudesse confiar em um tribunal para obter justiça. Então, também, havia a composição do juri a ser considerada. Como um advogado disse: "Eles achavam que os hispânicos poderiam ter ressentimentos - de Jackson - pelo seu dinheiro, os negros poderiam ressentir-se dele por tentar ser branco, e brancos teriam problemas para contornar a questão de abuso sexual." Na opinião de Resnick, "A histeria é tão grande e o estigma (do abuso sexual infantil) é tão forte, que não existe defesa contra isso."
Os advogados de Jackson também estavam preocupados com o que
poderia acontecer se um processo penal se seguisse, principalmente
em Santa Bárbara, que é uma comunidade de maioria branca,
conservadora, de classes média e alta. De qualquer modo que a
defesa olhasse para isso, um julgamento civil parecia ser uma
aposta muito alta. Através do cumprimento dos termos de um acordo
civil, segundo fontes , os advogados acharam que poderiam evitar um
julgamento criminal através de um entendimento tácito de que
Chandler concordaria em fazer com que seu filho não
testemunhasse.
Outras pessoas próximas ao caso disseram que a decisão de fazer o
acordo provavelmente também tinha a ver com outro fator: a
reputação dos advogados. "Você pode imaginar o que aconteceria a um
advogado que perdesse o caso de Michael Jackson?", diz Anthony
Pellicano. "Não há nenhuma maneira de todos os três advogados
sairem vencedores, a menos que façam um acordo. A única pessoa que
sai perdendo é Michael Jackson." "Mas Jackson, diz Branca," mudou
de idéia ( sobre levar o caso a julgamento), quando ele retornou a
este país. Ele não tinha visto a cobertura massiva do caso e o
quanto ela era hostil. Ele só queria que a coisa toda acabasse.
DESENTENDIMENTOS DE EVAN CHANDLER E DAVE SHWARTZ
"Por outro lado, as relações entre os membros da família do
menino tinham-se tornado amargas. Durante uma reunião no escritório
de Larry Feldman no final de 1993, Chandler, diz uma fonte, "perdeu
o controle e bateu em Dave (Schwartz)". Schwartz, que estava
separado de June a esta altura, foi ficando de fora da tomada de
decisões que afetavam o seu enteado, e ele tinha ressentimentos de
Chandler por ele ter levado o menino e não devolvido.
"Dave ficou furioso e disse a Evan que, de qualquer modo, tudo não
passava de extorsão. Nessa hora, Evan se levantou, se aproximou de
Dave e começou a bater nele", diz uma segunda fonte.
EVAN CHANDLER CONCRETIZA SEU PLANO E FICA MILIONÁRIO
Para qualquer um que tenha morado em Los Angeles em janeiro de
1994, havia dois assuntos principais para discussões: o terremoto e
o acordo de Jackson. Em 25 de janeiro, Jackson concordou em pagar
ao menino uma quantia não revelada. Um dia antes, os advogados de
Jackson retiraram as acusações de extorsão contra Chandler e
Rothman.
O valor real do acordo nunca foi revelado, embora se especule que
tenha sido cerca de US$ 20 milhões. Uma fonte diz que Chandler e
June Chandler - Schwartz receberam mais de US$ 2 milhões cada,
enquanto o advogado Feldman poderia ter chegado a até 25 por cento
em honorários. O restante do dinheiro está sendo guardado para o
garoto e será pago sob a supervisão de um procurador apontado pela
Corte.
"Lembre-se, este caso sempre disse respeito a dinheiro", diz
Pellicano ", e Evan Chandler acabou recebendo o que ele queria."
Desde então, Chandler ainda tem a custódia de seu filho. Fontes
afirmam que, logicamente, isso significa que o pai tem acesso a
qualquer dinheiro que seu filho receba.
GRAÇAS A MICHAEL JACKSON, EVAN CHANDLER SE APOSENTA DA ODONTOLOGIA,
PROFISSÃO QUE DETESTAVA
No final de maio de 1994, Chandler, finalmente, parecia estar fora da odontologia. Ele tinha fechado seu consultório em Beverly Hills, citando uma perseguição constante por parte dos fãs de Jackson. Sob os termos do acordo, Chandler, aparentemente, está proibido de escrever sobre o caso, mas seu irmão, Ray Charmatz, teria tentado conseguir um contrato para um livro.
DAVE SHWARTZ E BARRY ROTHMAN TAMBÉM QUEREM DINHEIRO DE MICHAEL
JACKSON
No que pode vir a ser o caso que nunca termina, em agosto passado, tanto Rothman quanto Dave Barry Schwartz (dois dos participantes principais do caso, que foram deixados de fora do acordo) apresentaram ações civis contra Jackson. Schwartz afirma que o cantor destruiu sua família. Rothman alega difamação e calúnia por parte de Jackson, assim como de sua equipe de defesa original - Fields, Pellicano e Weitzman, pelas acusações de extorsão. "A acusação de extorsão", diz Aitken, advogado de Rothman, "é totalmente falsa."
O sr. Rothman foi ridicularizado publicamente, foi objeto de uma investigação criminal e sofreu perda financeira " (Presumivelmente, uma das perdas financeiras de Rothman foram os altos honorários que ele teria recebido se tivesse continuado como advogado de Chandler na época do acordo.)
FINAL DE UMA TRISTE HISTÓRIA
Quanto a Michael Jackson, "ele está continuando com a sua vida",
diz o porta-voz Michael Levine. Agora casado, Jackson também gravou
recentemente três novas canções para mais um álbum de grandes
sucessos e completou as gravações de um novo vídeo chamado
"History".
E o que aconteceu com a investigação massiva de Jackson? Depois de
milhões de dólares terem sido gastos por promotores e pela polícia
em duas jurisdições, e depois de dois grandes júris terem
questionado cerca de 200 testemunhas, incluindo 30 crianças que
conheceram Jackson, não foi encontrada uma única testemunha que
corroborasse as acusações.
Em junho de 1994, ainda determinados a encontrar ao menos uma
testemunha que corroborasse, três promotores e dois detetives de
polícia voaram para a Austrália para questionar de novo Wade
Robson, o garoto que havia admitido ter dormido na mesma cama com
Jackson. Mais uma vez, o rapaz disse que nada de ruim havia
acontecido.
As únicas acusações levantadas contra Jackson, então, continuam a
ser aqueles feitos por um único menino, e só depois de ele ter sido
injetado com uma potente droga hipnótica, deixando-o suscetível a
sugestões.
"Achei o caso suspeito", diz o Dr. Underwager, o psiquiatra de
Minneapolis, "precisamente porque a única evidência veio de um
menino. Isso seria altamente improvável. Pedófilos reais tem uma
média de 240 vítimas em toda sua vida. É uma doença progressiva.
Eles nunca estão satisfeitos ".
Dadas as frágeis evidências contra Jackson, parece improvável que
ele fosse considerado culpado. As pessoas são livres para especular
como quiserem, e a excentricidade de Jackson deixa-o vulnerável à
probabilidade de que o público tem assumido o pior sobre ele.
Assim, é possível que Jackson não tenha cometido nenhum crime - que
ele seja o que sempre pretendeu ser, um protetor, e não um molester
de crianças?
O advogado Michael Freeman pensa assim: "Eu sinto que Jackson não fez nada de errado e essas pessoas [Chandler e Rothman] viram uma opor





